Compreender o futebol contemporâneo exige, antes de tudo, reconhecer
que ele não escapou às transformações estruturais do capitalismo
em sua fase neoliberal mais aguda, marcada por intensas disputas
comerciais e sangrentas guerras. Desde os anos de 1980, com a
ofensiva conservadora Thatcher/Reagan, o esporte mais popular do
planeta foi progressivamente submetido à lógica da valorização do
capital, suplantando a expressão cultural e lazer das classes
trabalhadoras para converter-se em ramo lucrativo da indústria do
entretenimento (Verdum, 2023). O neoliberalismo no futebol não se
resume a uma mera “modernização administrativa” do pós
“fifagate”, mas corresponde à captura integral da modalidade
pelo chamado “mercado”, na qual o jogador vira ativo, o torcedor
vira consumidor e o jogo, um derivativo financeiro (Sader, 2006).



