O futebol contemporâneo metamorfoseou-se de uma prática cultural popular em uma mercadoria altamente rentável, na qual o jogador — por mais estelar que seja — encarna a força de trabalho alienada. Como Marx descreveu em O Capital (1867), o trabalhador vende sua capacidade de produzir valor, mas não controla o produto nem as condições de produção. O craque negocia seu passe por cifras astronômicas, mas permanece subordinado a empresários, fundos de investimento e contratos de imagem que extraem mais-valia de seu corpo e de sua imagem. Brohm (2008), radicaliza essa leitura ao mostrar que o atleta de alto rendimento é um “proletário” do espetáculo, alienado de suas origens populares, cuja subjetividade é moldada para maximizar lucros, enquanto a maioria dos profissionais sobrevive em condições precárias, sem estabilidade ou direitos trabalhistas robustos.
sábado, 20 de junho de 2026
sexta-feira, 12 de junho de 2026
COPA DO MUNDO 2026 - Neoliberalismo e futebol: quando a mercadoria engole o jogo e a cultura como elemento de mais-valia
Compreender o futebol contemporâneo exige, antes de tudo, reconhecer
que ele não escapou às transformações estruturais do capitalismo
em sua fase neoliberal mais aguda, marcada por intensas disputas
comerciais e sangrentas guerras. Desde os anos de 1980, com a
ofensiva conservadora Thatcher/Reagan, o esporte mais popular do
planeta foi progressivamente submetido à lógica da valorização do
capital, suplantando a expressão cultural e lazer das classes
trabalhadoras para converter-se em ramo lucrativo da indústria do
entretenimento (Verdum, 2023). O neoliberalismo no futebol não se
resume a uma mera “modernização administrativa” do pós
“fifagate”, mas corresponde à captura integral da modalidade
pelo chamado “mercado”, na qual o jogador vira ativo, o torcedor
vira consumidor e o jogo, um derivativo financeiro (Sader, 2006).
sexta-feira, 15 de maio de 2026
78 ANOS DO ESTADO COLONIALISTA DE ISRAEL: da Nakba de 1948 à estrutura de Apartheid Sionista ou persistência da limpeza étnica e a resistência palestina
Nos dias atuais, os 78 anos da criação do Estado de Israel não
representam uma narrativa de redenção nacional, mas a consolidação
violenta de um projeto colonial de povoamento, gestado na matriz do
imperialismo britânico e na crise do capitalismo europeu do século
XIX. Nisso, a Resolução 181 da ONU, longe de um ato de justiça,
operou como uma manobra jurídico-política das potências vencedoras
da Segunda Guerra Mundial para redesenhar o Oriente Médio segundo
seus interesses geoestratégicos e petrolíferos, transferindo o
fardo da culpa europeia pelo genocídio nazista para os ombros do
povo árabe-palestino. Em destaque o sionismo, a ideologia da
burguesia judaica europeia, que instrumentalizou uma dor histórica
real para legitimar a despossessão material de uma população
majoritariamente camponesa.
sábado, 9 de maio de 2026
VITÓRIA SOVIÉTICA SOBRE NAZISMO: nada de “aliados”, nem “general inverno”, tampouco “imensidão territorial”. E sim triunfo de um novo modo de produção e seu povo!!
Antes de mais nada,
a vitória soviética sobre o nazismo não foi meramente um triunfo
militar ou uma casualidade geográfica, mas a demonstração concreta
das potencialidades superiores de um modo de produção
pós-capitalista em seu enfrentamento com a forma mais bárbara do
poder burguês sob a forma do imperialismo.
sábado, 2 de maio de 2026
400 ANOS DOS 7 POVOS DAS MISSÕES: superar o lamento culturalista e folclorista numa perspectiva anticolonial
A ideia de colonização levada a cabo pelos europeus no século XVI, principalmente pelos espanhóis, rezava que os “indígenas” eram como se fossem animais que poderiam ser usados para trabalho escravo (Lugon, 1976, págs. 32-33). Escravização e selvageria espanhola levaram a que os padres jesuítas começassem seu “trabalho” de evangelização mais para o interior de um país que ainda não estava definido, nem como pátria, nem como território. Para escapar da Coroa espanhola destinaram-se para o (hoje) Mato Grosso do Sul, oeste do Paraná, norte, oeste e centro do Rio Grande do Sul, por volta de 1638. Era uma forma de refúgio perante os sanguinários ataques e massacres dos bandeirantes paulistas contra os povos indígenas.
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