sábado, 15 de agosto de 2026

SERTANEJO UNIVERSITÁRIO, FUNK, FORRÓ ELETRÔNICO: a crise da canção na festa do capital em que o Brasil dança à beira do abismo

 

Dou prosseguimento a uma produção de textos culturais acerca do pensamento comum, da alienação no Brasil, agora em relação ao universo musical dos dias atuais. Muitos podem não gostar, mas a música popular brasileira vive, hoje, uma crise que não é apenas estética, representa simbolicamente um apagão civilizatório. O que se ouve nas rádios, nos palcos improvisados das prefeituras do interior e nos celulares de milhões não é um “gosto do povo” espontâneo, mas o resultado de décadas de desmonte educacional, concentração midiática e captura da cultura pela lógica do lucro imediato, o substrato de um projeto político.

sábado, 25 de julho de 2026

IGREJAS EVANGÉLICAS: o Céu na Terra, o Capital no altar neoliberal ou a Teologia do Domínio

O fenômeno chamado “Teoria do Domínio” (dominionismo) nas igrejas neopentecostais brasileiras reúne ideias políticas e religiosas com influência internacional. Surge nos anos 1970 a partir de doutrinas estadunidenses (Reconstrucionismo Cristão, Teologia da Prosperidade, “7 montes”), projetos defendem que cristãos devem assumir o controle das principais esferas sociais (família, educação, mídia, negócios, esportes, governo e até mesmo o crime organizado etc.) para “tomar o poder”. No Brasil, donos de grandes igrejas neopentecostais abraçaram ou expressaram essa visão, criando redes políticas e midiáticas poderosas. Esta estratégia adquire tons claramente político e simbólico, visando consolidar valores evangélicos no Estado, estimular mobilização de massas fiéis, garantir benefícios econômicos às instituições religiosas.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

COPA DO MUNDO 2026: fé, placar e capital, epígrafes da derrota do Brasil e síntese de um projeto neoliberal de exportação em decadência


A imagem que ficou da eliminação brasileira na Copa de 2026 não veio do lance fatal, mas do instante seguinte, quando vários jogadores ajoelhados, em círculo, olhos fechados, entregando o silêncio da derrota a Deus. A cena, repetida à exaustão nas transmissões, sintetiza um esgotamento que vai muito além da tática que revela o retrato de uma seleção que substituiu a leitura crítica do jogo pela entrega mística e, ao fazê-lo, naturalizou sua condição de alienação de seu meio e mercadoria no balcão global do futebol.

sábado, 4 de julho de 2026

O 4 DE JULHO DOS ESTADOS UNIDOS – ENTRE FOGOS DE ARTIFÍCIOS E SILÊNCIOS: a revolução como negócio de classe e supremacismo racial

O 4 de julho, 250 anos da independência dos EUA, costuma ser narrado como um levante espontâneo de um povo sedento por liberdade. Uma análise materialista, contudo, revela uma disputa entre elites coloniais que viam seus interesses econômicos estrangulados pela metrópole. Não se tratou de um movimento unificado das massas, mas de uma ruptura conduzida por comerciantes, traficantes de escravos, latifundiários e especuladores de terra que se sentiam sufocados pelo mercantilismo britânico.
Como argumenta Zinn (1980), “em 1776, certas pessoas importantes das colônias inglesas tomaram uma decisão que se revelaria historicamente significativa [...], mas elas não representavam os interesses de toda a população… a retórica da igualdade coexistia com profundas desigualdades sociais”. A taxação sem representação era, acima de tudo, um entrave à plena acumulação de capital dessas frações de classe, que usaram o discurso iluminista da liberdade para legitimar um projeto de poder doméstico.

O Grito de Liberdade e os Grilhões Reais onde POUCOS são livres...

O parágrafo mais celebrado da Declaração de Independência proclama que “todos os homens são criados iguais” e dotados de direitos inalienáveis à “vida, liberdade e busca da felicidade”. A contradição histórica é atroz e hipócrita, pois o autor do texto, Thomas Jefferson, possuía mais de uma centena de pessoas escravizadas, mais da metade dos signatários eram escravocratas empederrnidos. A cláusula original que condenava o tráfico negreiro foi suprimida do documento final sob pressão da Geórgia e da Carolina do Sul. A “liberdade” proclamada era a liberdade da burguesia nascente de dispor de propriedade, inclusive de corpos e força humana sem interferência externa da “metrópole”. A revolução estadunidense, portanto, nasceu marcada por uma “emancipação” que alarga os grilhões dos trabalhadores e racializa a opressão para garantir a extração de mais-valia nos algodoais, nas docas e nas plantations.

sábado, 20 de junho de 2026

FUTEBOL GLOBALIZADO, PRIVATISMO EM LUGAR DA PAIXÃO: fetiche da redonda ou trabalho alienado, especulação financeira e crime no futebol-mercadoria

O futebol contemporâneo metamorfoseou-se de uma prática cultural popular em uma mercadoria altamente rentável, na qual o jogador — por mais estelar que seja — encarna a força de trabalho alienada. Como Marx descreveu em O Capital (1867), o trabalhador vende sua capacidade de produzir valor, mas não controla o produto nem as condições de produção. O craque negocia seu passe por cifras astronômicas, mas permanece subordinado a empresários, fundos de investimento e contratos de imagem que extraem mais-valia de seu corpo e de sua imagem. Brohm (2008), radicaliza essa leitura ao mostrar que o atleta de alto rendimento é um “proletário” do espetáculo, alienado de suas origens populares, cuja subjetividade é moldada para maximizar lucros, enquanto a maioria dos profissionais sobrevive em condições precárias, sem estabilidade ou direitos trabalhistas robustos.