A derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026, seguida de sua fuga desesperada e às escondidas do Brasil para os Estados Unidos, representa um dos episódios mais reveladores da atual crise do bolsonarismo. Posto que Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Entretanto, o acontecimento politicamente mais significativo veio depois das urnas, quando Flávio atravessou a fronteira argentina e seguiu para Miami, mesmo depois de determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que entregasse seus passaportes e não deixasse o território nacional.
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
terça-feira, 6 de outubro de 2026
ELEIÇÕES 2026 E A SOMBRA ESCABROSA DE WASHINGTON SOBRE AS URNAS: o Brasil diante da nova e cortante maré conservadora no labirinto global
O primeiro turno das eleições de 2026 produziu um resultado que ultrapassa a simples disputa entre candidatos: Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levando a eleição presidencial para o segundo turno no dia 25 de outubro. A diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos revela um país profundamente dividido, mas evidencia também uma esquerda incapaz, até aqui, de converter a defesa institucional da democracia em uma mobilização social suficientemente ampla. O dado mais perturbador talvez esteja fora da contagem dos vencedores: 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, correspondendo a 21,08% do eleitorado, índice superior ao de 2022 e o mais alto desde 1998. Na disputa presidencial, houve ainda 2.300.781 votos brancos (1,84%) e 3.674.149 nulos (2,93%). A soma de ausentes, brancos e nulos revela uma massa eleitoral que não pode ser tratada simplesmente como “despolitizada”: ela expressa também desencanto, descrença e uma crise de representação que atinge o conjunto do sistema político.
sábado, 19 de setembro de 2026
A REVOLUÇÃO FARROUPILHA: entre a epopeia mistificadora, o folclorismo e a crueza da luta de classes no Rio Grande do Sul do Brasil imperial
Comemora-se no Rio Grande do Sul a institucionalizada, folclorizada e sem a devida criticidade histórica e social “Semana Farroupilha”. No entanto, a chamada Revolução Farroupilha (1835-1845) precisa ser retirada, antes de tudo, do campo da epopeia regional e recolocada no terreno da história social. A denominação “revolução” não é inteiramente neutra, uma vez que o conflito pode ser compreendido, com maior precisão descritiva, como uma guerra civil provincial, articulada a disputas políticas do período regencial, à economia pecuária e charqueadora e às relações de poder na fronteira platina. A direção do movimento esteve fortemente concentrada entre grandes proprietários rurais, chefes militares e homens ligados às elites da Campanha, cuja reivindicação de maior autonomia provincial não significava uma ruptura com a estrutura social existente.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
A DIALÉTICA DO 11 DE SETEMBRO NOS EUA: o papel estrutural e reacionário da CIA e do Pentágono nos ataques às Torres Gêmeas
sábado, 15 de agosto de 2026
SERTANEJO UNIVERSITÁRIO, FUNK, FORRÓ ELETRÔNICO: a crise da canção na festa do capital em que o Brasil dança à beira do abismo
Dou prosseguimento a uma produção de textos culturais acerca do pensamento comum, da alienação no Brasil, agora em relação ao universo musical dos dias atuais. Muitos podem não gostar, mas a música popular brasileira vive, hoje, uma crise que não é apenas estética, representa simbolicamente um apagão civilizatório. O que se ouve nas rádios, nos palcos improvisados das prefeituras do interior e nos celulares de milhões não é um “gosto do povo” espontâneo, mas o resultado de décadas de desmonte educacional, concentração midiática e captura da cultura pela lógica do lucro imediato, o substrato de um projeto político.




