sexta-feira, 10 de julho de 2026
COPA DO MUNDO 2026: fé, placar e capital, epígrafes da derrota do Brasil e síntese de um projeto neoliberal de exportação em decadência
A imagem que ficou da eliminação brasileira na Copa de 2026 não veio do lance fatal, mas do instante seguinte, quando vários jogadores ajoelhados, em círculo, olhos fechados, entregando o silêncio da derrota a Deus. A cena, repetida à exaustão nas transmissões, sintetiza um esgotamento que vai muito além da tática que revela o retrato de uma seleção que substituiu a leitura crítica do jogo pela entrega mística e, ao fazê-lo, naturalizou sua condição de alienação de seu meio e mercadoria no balcão global do futebol.
sábado, 4 de julho de 2026
O 4 DE JULHO DOS ESTADOS UNIDOS – ENTRE FOGOS DE ARTIFÍCIOS E SILÊNCIOS: a revolução como negócio de classe e supremacismo racial
O 4 de julho, 250
anos da independência dos EUA, costuma ser narrado como um levante
espontâneo de um povo sedento por liberdade. Uma análise
materialista, contudo, revela uma disputa entre elites coloniais que
viam seus interesses econômicos estrangulados pela metrópole. Não
se tratou de um movimento unificado das massas, mas de uma ruptura
conduzida por comerciantes, traficantes de escravos, latifundiários
e especuladores de terra que se sentiam sufocados pelo mercantilismo
britânico.
Como argumenta Zinn
(1980), “em 1776, certas pessoas importantes das colônias inglesas
tomaram uma decisão que se revelaria historicamente significativa
[...], mas elas não representavam os interesses de toda a população…
a retórica da igualdade coexistia com profundas desigualdades
sociais”. A taxação sem representação era, acima de tudo, um
entrave à plena acumulação de capital dessas frações de classe,
que usaram o discurso iluminista da liberdade para legitimar um
projeto de poder doméstico.
O Grito de Liberdade e os Grilhões Reais onde POUCOS são livres...
O parágrafo mais
celebrado da Declaração de Independência proclama que “todos os
homens são criados iguais” e dotados de direitos inalienáveis à
“vida, liberdade e busca da felicidade”. A contradição
histórica é atroz e hipócrita, pois o autor do texto, Thomas
Jefferson, possuía mais de uma centena de pessoas escravizadas, mais
da metade dos signatários eram escravocratas empederrnidos. A
cláusula original que condenava o tráfico negreiro foi suprimida do
documento final sob pressão da Geórgia e da Carolina do Sul. A
“liberdade” proclamada era a liberdade da burguesia nascente de
dispor de propriedade, inclusive de corpos e força humana sem
interferência externa da “metrópole”. A revolução
estadunidense, portanto, nasceu marcada por uma “emancipação”
que alarga os grilhões dos trabalhadores e racializa a opressão
para garantir a extração de mais-valia nos algodoais, nas docas e
nas plantations.
sábado, 20 de junho de 2026
FUTEBOL GLOBALIZADO, PRIVATISMO EM LUGAR DA PAIXÃO: fetiche da redonda ou trabalho alienado, especulação financeira e crime no futebol-mercadoria
O futebol contemporâneo metamorfoseou-se de uma prática cultural popular em uma mercadoria altamente rentável, na qual o jogador — por mais estelar que seja — encarna a força de trabalho alienada. Como Marx descreveu em O Capital (1867), o trabalhador vende sua capacidade de produzir valor, mas não controla o produto nem as condições de produção. O craque negocia seu passe por cifras astronômicas, mas permanece subordinado a empresários, fundos de investimento e contratos de imagem que extraem mais-valia de seu corpo e de sua imagem. Brohm (2008), radicaliza essa leitura ao mostrar que o atleta de alto rendimento é um “proletário” do espetáculo, alienado de suas origens populares, cuja subjetividade é moldada para maximizar lucros, enquanto a maioria dos profissionais sobrevive em condições precárias, sem estabilidade ou direitos trabalhistas robustos.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
COPA DO MUNDO 2026 - Neoliberalismo e futebol: quando a mercadoria engole o jogo e a cultura como elemento de mais-valia
Compreender o futebol contemporâneo exige, antes de tudo, reconhecer
que ele não escapou às transformações estruturais do capitalismo
em sua fase neoliberal mais aguda, marcada por intensas disputas
comerciais e sangrentas guerras. Desde os anos de 1980, com a
ofensiva conservadora Thatcher/Reagan, o esporte mais popular do
planeta foi progressivamente submetido à lógica da valorização do
capital, suplantando a expressão cultural e lazer das classes
trabalhadoras para converter-se em ramo lucrativo da indústria do
entretenimento (Verdum, 2023). O neoliberalismo no futebol não se
resume a uma mera “modernização administrativa” do pós
“fifagate”, mas corresponde à captura integral da modalidade
pelo chamado “mercado”, na qual o jogador vira ativo, o torcedor
vira consumidor e o jogo, um derivativo financeiro (Sader, 2006).
sexta-feira, 15 de maio de 2026
78 ANOS DO ESTADO COLONIALISTA DE ISRAEL: da Nakba de 1948 à estrutura de Apartheid Sionista ou persistência da limpeza étnica e a resistência palestina
Nos dias atuais, os 78 anos da criação do Estado de Israel não
representam uma narrativa de redenção nacional, mas a consolidação
violenta de um projeto colonial de povoamento, gestado na matriz do
imperialismo britânico e na crise do capitalismo europeu do século
XIX. Nisso, a Resolução 181 da ONU, longe de um ato de justiça,
operou como uma manobra jurídico-política das potências vencedoras
da Segunda Guerra Mundial para redesenhar o Oriente Médio segundo
seus interesses geoestratégicos e petrolíferos, transferindo o
fardo da culpa europeia pelo genocídio nazista para os ombros do
povo árabe-palestino. Em destaque o sionismo, a ideologia da
burguesia judaica europeia, que instrumentalizou uma dor histórica
real para legitimar a despossessão material de uma população
majoritariamente camponesa.
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