sábado, 2 de maio de 2026

400 ANOS DOS 7 POVOS DAS MISSÕES: superar o lamento culturalista e folclorista numa perspectiva anticolonial


A ideia de colonização levada a cabo pelos europeus no século XVI, principalmente pelos espanhóis, rezava que os “indígenas” eram como se fossem animais que poderiam ser usados para trabalho escravo (Lugon, 1976, págs. 32-33). Escravização e selvageria espanhola levaram a que os padres jesuítas começassem seu “trabalho” de evangelização mais para o interior de um país que ainda não estava definido, nem como pátria, nem como território. Para escapar da Coroa espanhola destinaram-se para o (hoje) Mato Grosso do Sul, oeste do Paraná, norte, oeste e centro do Rio Grande do Sul, por volta de 1638. Era uma forma de refúgio perante os sanguinários ataques e massacres dos bandeirantes paulistas contra os povos indígenas.

terça-feira, 7 de maio de 2024

HECATOMBE CLIMÁTICA NO RS – PORTO ALEGRE DISTÓPICA: Governos neoliberais privatistas destruíram infraestrutura do Estado. Eduardo Leite e Sebastião Melo são responsáveis sim!!!

 

Os eventos climáticos extremos que o povo gaúcho vivencia não foi algo imprevisto, nem de incidências meramente naturais: a mão do homem neoliberal está presente. Há anos vinha sendo alertado, mas nada de concreto fora feito; ao contrário, governos municipais e estaduais levaram a cabo profunda destruição das infraestruturas do Estado enquanto ente público. O estado do Rio Grande do Sul e a capital Porto Alegre são os exemplos aprimorados do efeito deletério do ultraneoliberalismo na vida dos trabalhadores e na população em geral. Acumulam-se descasos e tragédias há pelo menos dois meses: na região metropolitana e na capital vem de anos a crise no sistema de saúde, colapsada via sucateamento. Governo federal cortou bilhões em verbas para saúde em nome do “ajuste fiscal” imposto pela extrema-direita bolsonarista; o governo do estado, Eduardo Leite, destruiu o IPE, de assistência ao funcionário público e a rede hospitalar; em nível municipal, o prefeito bolsonarista Sebastião Melo demitiu dois mil agentes da saúde, precarizando ainda mais a rede de atendimento hospitalar. Em Canoas, a terceira maior cidade do estado, a crise na saúde é ainda mais drástica em meio a denúncias de corrupção por parte do prefeito Jairo Jorge.

sábado, 16 de março de 2024

OPPENHEIMER, O FILME. Sob o clarão bomba atômica, Ciência, poder e o horror das guerras atuais

B

aseado na biografia American Prometheus: the Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer1, o filme de Nolan pretende cobrir a complexa vida do físico em um ritmo alucinante, em tensão dramática dilacerante por todo o filme, quase um videoclipe (de três horas de duração) que mergulha na mente do protagonista. Um sucesso de bilheteria. O porquê do sucesso do filme Oppenheimer, grande vencedor do Oscar 2024? Situa-se no contexto belicoso dos últimos três ou quatro anos: guerras na Ucrânia, massacre na Palestina (que no caso não se trata de guerra, mas de genocídio da população onde apenas um lado morre, a dos palestinos), conflito no Iêmen (mais de 200 mil mortos), guerra na Etiópia, conflitos em Bukina Faso, Somália, Sudão, Mianmar, Nigéria, Síria, Haiti.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

FILME O MUNDO DEPOIS DE NÓS: preocupação com o fim do “american way life” no contexto distópico da sociedade

SEM SPOILER — Um filme repleto de suspense, quase tirando o fôlego do expectador, com uma trilha sonora impactante — ainda mais se assistido em um system sound 5.1, no qual os sons giram nas seis caixas de som e nos proporciona uma imersão virtual no mundo relatado no filme de sustos e incertezas — assim é “O mundo depois de nós”. Apesar do título em português estar fora de contexto, por não expressar o real conteúdo da película, há muitos elementos a serem observados. Em primeiro lugar, claro, o título em inglês “Leave the World Behind” – deixar o mundo para trás – tem muito mais a ver com a trama e sua profundidade dialógica e estética, que podem passar despercebidas a olhares e ouvidos menos atentos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

PALESTINA versus ISRAEL: Não é guerra civil, mas um povo em defesa de sua libertação, da vida, após quase cem anos de colonialismo e extermínio étnico

É completamente falsa a cobertura que a mídia corporativa pró-Estados Unidos vem fazendo acerca da chamada “guerra” entre o estado nazi-sionista1 de Israel e o Hamasi. Antes de tudo, é preciso afirmar com contundência que Israel surgiu com a condescendência política das maiores potências econômicas em 1947-1948, criando facilidades para que o movimento sionista ocupasse o território palestino (divisão arbitrária do Oriente Médio). A resistência árabe foi ferrenha, o que provocou a ira nos futuros enclavistas sob a proteção da ONU: colocaram em prática uma verdadeira carnificina, a tragédia conhecida como Nakba (projeto colonialista elaborado pelos sionistas desde finais do século XIX), quando mais de 500 aldeias palestinas foram varridas do mapa, provocando a fuga em massa da população civil para a Cisjordânia, Gaza e países limítrofes, criando campos de refugiados (algo muito similar aos campos de concentração nazistas). À época árabes palestinos somavam 1,3 milhões, enquanto os judeus não passavam de 600 milii, ambos conviviam sem maiores problemas até meados do século XIX, dentro da Palestina.