Como argumenta Zinn
(1980), “em 1776, certas pessoas importantes das colônias inglesas
tomaram uma decisão que se revelaria historicamente significativa
[...], mas elas não representavam os interesses de toda a população…
a retórica da igualdade coexistia com profundas desigualdades
sociais”. A taxação sem representação era, acima de tudo, um
entrave à plena acumulação de capital dessas frações de classe,
que usaram o discurso iluminista da liberdade para legitimar um
projeto de poder doméstico.
O Grito de Liberdade e os Grilhões Reais onde POUCOS são livres...
O parágrafo mais
celebrado da Declaração de Independência proclama que “todos os
homens são criados iguais” e dotados de direitos inalienáveis à
“vida, liberdade e busca da felicidade”. A contradição
histórica é atroz e hipócrita, pois o autor do texto, Thomas
Jefferson, possuía mais de uma centena de pessoas escravizadas, mais
da metade dos signatários eram escravocratas empederrnidos. A
cláusula original que condenava o tráfico negreiro foi suprimida do
documento final sob pressão da Geórgia e da Carolina do Sul. A
“liberdade” proclamada era a liberdade da burguesia nascente de
dispor de propriedade, inclusive de corpos e força humana sem
interferência externa da “metrópole”. A revolução
estadunidense, portanto, nasceu marcada por uma “emancipação”
que alarga os grilhões dos trabalhadores e racializa a opressão
para garantir a extração de mais-valia nos algodoais, nas docas e
nas plantations.
