O fenômeno chamado “Teoria do Domínio” (dominionismo) nas igrejas neopentecostais brasileiras reúne ideias políticas e religiosas com influência internacional. Surge nos anos 1970 a partir de doutrinas estadunidenses (Reconstrucionismo Cristão, Teologia da Prosperidade, “7 montes”), projetos defendem que cristãos devem assumir o controle das principais esferas sociais (família, educação, mídia, negócios, esportes, governo e até mesmo o crime organizado etc.) para “tomar o poder”. No Brasil, donos de grandes igrejas neopentecostais abraçaram ou expressaram essa visão, criando redes políticas e midiáticas poderosas. Esta estratégia adquire tons claramente político e simbólico, visando consolidar valores evangélicos no Estado, estimular mobilização de massas fiéis, garantir benefícios econômicos às instituições religiosas.
sábado, 25 de julho de 2026
sexta-feira, 10 de julho de 2026
COPA DO MUNDO 2026: fé, placar e capital, epígrafes da derrota do Brasil e síntese de um projeto neoliberal de exportação em decadência
A imagem que ficou da eliminação brasileira na Copa de 2026 não veio do lance fatal, mas do instante seguinte, quando vários jogadores ajoelhados, em círculo, olhos fechados, entregando o silêncio da derrota a Deus. A cena, repetida à exaustão nas transmissões, sintetiza um esgotamento que vai muito além da tática que revela o retrato de uma seleção que substituiu a leitura crítica do jogo pela entrega mística e, ao fazê-lo, naturalizou sua condição de alienação de seu meio e mercadoria no balcão global do futebol.
sábado, 4 de julho de 2026
O 4 DE JULHO DOS ESTADOS UNIDOS – ENTRE FOGOS DE ARTIFÍCIOS E SILÊNCIOS: a revolução como negócio de classe e supremacismo racial
O 4 de julho, 250
anos da independência dos EUA, costuma ser narrado como um levante
espontâneo de um povo sedento por liberdade. Uma análise
materialista, contudo, revela uma disputa entre elites coloniais que
viam seus interesses econômicos estrangulados pela metrópole. Não
se tratou de um movimento unificado das massas, mas de uma ruptura
conduzida por comerciantes, traficantes de escravos, latifundiários
e especuladores de terra que se sentiam sufocados pelo mercantilismo
britânico.
Como argumenta Zinn
(1980), “em 1776, certas pessoas importantes das colônias inglesas
tomaram uma decisão que se revelaria historicamente significativa
[...], mas elas não representavam os interesses de toda a população…
a retórica da igualdade coexistia com profundas desigualdades
sociais”. A taxação sem representação era, acima de tudo, um
entrave à plena acumulação de capital dessas frações de classe,
que usaram o discurso iluminista da liberdade para legitimar um
projeto de poder doméstico.
O Grito de Liberdade e os Grilhões Reais onde POUCOS são livres...
O parágrafo mais
celebrado da Declaração de Independência proclama que “todos os
homens são criados iguais” e dotados de direitos inalienáveis à
“vida, liberdade e busca da felicidade”. A contradição
histórica é atroz e hipócrita, pois o autor do texto, Thomas
Jefferson, possuía mais de uma centena de pessoas escravizadas, mais
da metade dos signatários eram escravocratas empederrnidos. A
cláusula original que condenava o tráfico negreiro foi suprimida do
documento final sob pressão da Geórgia e da Carolina do Sul. A
“liberdade” proclamada era a liberdade da burguesia nascente de
dispor de propriedade, inclusive de corpos e força humana sem
interferência externa da “metrópole”. A revolução
estadunidense, portanto, nasceu marcada por uma “emancipação”
que alarga os grilhões dos trabalhadores e racializa a opressão
para garantir a extração de mais-valia nos algodoais, nas docas e
nas plantations.
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