sábado, 20 de junho de 2026

FUTEBOL GLOBALIZADO, PRIVATISMO EM LUGAR DA PAIXÃO: fetiche da redonda ou trabalho alienado, especulação financeira e crime no futebol-mercadoria

O futebol contemporâneo metamorfoseou-se de uma prática cultural popular em uma mercadoria altamente rentável, na qual o jogador — por mais estelar que seja — encarna a força de trabalho alienada. Como Marx descreveu em O Capital (1867), o trabalhador vende sua capacidade de produzir valor, mas não controla o produto nem as condições de produção. O craque negocia seu passe por cifras astronômicas, mas permanece subordinado a empresários, fundos de investimento e contratos de imagem que extraem mais-valia de seu corpo e de sua imagem. Brohm (2008), radicaliza essa leitura ao mostrar que o atleta de alto rendimento é um “proletário” do espetáculo, alienado de suas origens populares, cuja subjetividade é moldada para maximizar lucros, enquanto a maioria dos profissionais sobrevive em condições precárias, sem estabilidade ou direitos trabalhistas robustos.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

COPA DO MUNDO 2026 - Neoliberalismo e futebol: quando a mercadoria engole o jogo e a cultura como elemento de mais-valia


Compreender o futebol contemporâneo exige, antes de tudo, reconhecer que ele não escapou às transformações estruturais do capitalismo em sua fase neoliberal mais aguda, marcada por intensas disputas comerciais e sangrentas guerras. Desde os anos de 1980, com a ofensiva conservadora Thatcher/Reagan, o esporte mais popular do planeta foi progressivamente submetido à lógica da valorização do capital, suplantando a expressão cultural e lazer das classes trabalhadoras para converter-se em ramo lucrativo da indústria do entretenimento (Verdum, 2023). O neoliberalismo no futebol não se resume a uma mera “modernização administrativa” do pós “fifagate”, mas corresponde à captura integral da modalidade pelo chamado “mercado”, na qual o jogador vira ativo, o torcedor vira consumidor e o jogo, um derivativo financeiro (Sader, 2006).