
s atos que ocorreram no domingo, 15, demonstram uma realidade quase verossímil e não caem em contradição com que os manifestantes - mauricinhos, patricinhas e dondocas - expuseram nas ruas, muito embora de forma assaz confusa e difusa. Foram massivos, claro, num domingo e com convocatória da mídia como se fosse para um passeio... com catraca livre no metrô de São Paulo! E de certa forma uma marcha bem distinta daquela que ocorreu em junho de 2013 em forma e conteúdo. Naquela ocasião a massa heterogênea e confusa foi despertada pela juventude estudantil às tentativas de aumento abusivo das passagens dos transportes públicos e os gastos exorbitantes com a Copa do Mundo de futebol, que mais tarde fora acrescida de setores mais amorfos da população que impingiram um claro conteúdo anticomunista e “apartidário”, ou seja, voltados ao antipetismo. Neste domingo, como noticiou um jornal britânico, “a mais recente onda de protestos, entretanto, é de um grupo mais velho, mais branco e mais rico, reunidos após uma grande cobertura antecipada da grande mídia” (
The Guardian, 16/3). Na maioria, os atos tiveram concentração nos bairros nobres das cidades (Copacabana, Avenida Paulista, Explanada dos Ministérios, Ondina, Aldeota, Moinhos de Vento etc.). Neste espectro aparecem “agrupamentos” que se proclamam “apartidários” e, por conseguinte, oposição ao governo da frente popular: o “Movimento Brasil Livre” (MBL), na verdade yuppies liberais que desprezam a legalização do aborto, das drogas, o casamento gay, a reforma agrária, a ascensão social dos trabalhadores mais humildes; outro grupo, o “Vem pra Rua” é dirigido por grandes empresários, muito provavelmente ligados ao PSDB; há o “Legalistas” que preconizam um novo golpe militar gorila para apear o PT do poder, desfilando toscas suásticas e apelos a volta da ditadura militar (e não eram tão poucos como queriam enfatizar os “democratas” de plantão); os “Estudantes pela Liberdade” (EPL) diretamente financiados pela corporação petroleira norte-americana – a Koch Industries, conhecida por destruir o meio ambiente e assassinar a população indígena nos EUA; e, finalmente o “Revoltados on Line” que apregoam abertamente a necessidade de impeachment de Dilma. Contudo, todos têm algo em comum: o ódio de classe contra os pobres que melhoraram consideravelmente durante os governos Lula/Dilma, logo a raiva se volta contra o PT.