quarta-feira, 15 de junho de 2016

O SACO SEM FUNDO DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO: um órgão sem nenhum controle social, mas com mesa posta para o capital


A
té o presente momento todo o arco da opinião pública dita “progressista”, ao lado da frente popular, levando de roldão a esquerda trotsquizante (PSTU, CST, PCO, MRT, MES), tem caracterizado o sistema judiciário brasileiro como um órgão corporativista, dirigido por tucanos, distante dos reais anseios dos trabalhadores. Esta, entretanto, é uma meia verdade que não foge aos limites do senso comum e a seu “empirocriticismo” analítico. Ficam no ar as perguntas: por que o judiciário foi uma das peças mais importantes na deposição do governo Dilma através de um articulado golpe institucional? Qual o papel da famigerada “operação lava jato” no contexto da procuradoria geral da República e do STF? A raiz da compreensão vai ao fundo da necessidade de termos uma visão macro, tanto em nível econômico como no geopolítico e situa-la dentro de uma guerra não convencional declarada pelo imperialismo norte-americano há poucos anos.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA, 13 DE MAIO DE 1888: Regime político escravista verga após três séculos de luta do povo negro! Zumbi dos Palmares, nosso coração e mente!

 

“A acumulação original desempenha na economia política aproximadamente o mesmo papel que o pecado original na teologia. Adão deu uma dentada na maçã, e deste modo o pecado desceu sobre o género humano. A origem daquele é explicada ao ser contada como anedota do passado. Num tempo remoto havia, de um lado, uma elite diligente, inteligente, e sobretudo frugal, e do outro uma escumalha preguiçosa, que dissipava tudo o que tinha e mais” (K. Marx, O Capital - A Chamada Acumulação Original)

P
assados três longos e terríveis séculos dos suplícios da escravidão, a 8 de maio de 1888 o ministro da agricultura conselheiro Rodrigo Augusto da Silva – membro do Partido Conservador - apresenta seu projeto à Câmara dos Deputados, o qual preconizava o fim do trabalho escravo no Brasil. 83 deputados declararam-se favoráveis; 9 foram contra. Aprovado logo foi remetido para o Senado, “onde foi recebido com grande alegria” (Anais do Senado), votado e aprovado no dia 13 e encaminhado para a regente “princesa” Isabel que na mesma tarde assinou a “Lei Áurea” (Lei Imperial n.º 3.353). Porém, muito distante desta visão idílica e ordeira, a realidade foi tremendamente adversa: “Os ex-escravos foram abandonados à sua própria sorte... Se a lei lhes garantia o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia os meios para tornar sua liberdade efetiva... A Lei Áurea abolia a escravidão mas não seu legado. Trezentos anos de opressão não se eliminam com uma penada” (A abolição, Emília Viotti da Costa). Assim deve ser compreendido o processo da abolição da escravatura no Brasil, ou seja, a lei ainda que de modo deformado, indicava um acirramento da luta de classes durante o período colonial (capitalista). O caráter de classe da “princesa” e seu pai (D. Pedro II) é inquestionável. Agora, de forma alguma pode ser caracterizada como falsa a abolição, pois adotar tal assertiva é corroborar com a ocultação das resistências e lutas heroicas do povo negro que não foram poucas (fugas, justiçamentos de senhores e feitores, rebeliões, quilombolas...), fazendo coro com um “novo” tipo de história segundo o qual a resistência do trabalhador escravizado é negada “em meio a uma sociedade harmônica, que quando o cativo atinge sua alforria sente falta da proteção de seu senhor” (Katia Mattoso) enaltecendo um mundo de sonhos e de “colaboração mútua”.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

“POR DEUS, MINHA FAMÍLIA E MEU DINHEIRO”, sim eles são os filhos da pátria burguesa!


O
que esperar da bancada BBB (Bíblia, Boi, Bala) na Câmara Federal? Nada e tudo! A sociedade cada vez mais espetacularizada pelos barões da mídia com teatros do absurdo e de vampiros sanguessugas: os “representantes do povo” atuando em favor da família (as suas próprias, claro), de Deus e dos amigos (quadrilhas de assalto aos cofres públicos, claro), todos, no entanto, unidos “contra a corrupção”! Manifestavam-se assim os crápulas, os proponentes da perfídia, os achacadores, os oportunistas de camarote, enfim todas as hienas representando contra o PT.

O que vimos neste último domingo, longe de ser uma aberração ou um “circo de horrores” como muitos afirmaram, é o retrato mais fiel da “democracia dos ricos” – e sem retoque no photoshop! Talvez tenha chocado alguns incautos defensores da democracia em geral, mas é o suprassumo da “realidade política” a qual estamos submetidos e que permeia nossos “probos mandatários”. O sistema e o regime corrupto somente poderia gerar todo aquele espetáculo dantesco no Congresso, está na “alma” do capitalismo que a cada dia gera mais e mais indigentes intelectuais e escroques políticos com no máximo dois neurônios na "defesa do povo" brasileiro. O fascismo destrói a política e assassina a gramática!

segunda-feira, 28 de março de 2016

YES, NÓS TEMOS BANANAS, subornos, corrupção e... Sérgio Moro! A “justiça” vem de fora para perpetuar exploração capitalista

A
té agora um grande espectro da opinião pública encarou a crise institucional que abala o governo Dilma como consequência da corrupção, dia após dia bombardeando a população com factoides midiáticos. Aqui, é necessário mudar esta perspectiva se valendo de um método de análise materialista a partir do critério de classe, pois tratar os melindres da corrupção de forma geral dilui o essencial, o conflito entre os exploradores e explorados, como se o corrupto (o serviçal) pudesse agir como elemento ativo no processo e perante o capitalista (a burguesia), quando este último se apropria da riqueza nacional como inerente à acumulação capitalista. A mídia, a classe média, a direita e até setores da esquerda vêm tratando a corrupção brasileira como uma generalidade deixando para trás o aspecto ontológico mais importante que é a dominação de classe. A corrupção sempre existiu, desde as formações sociais pré-capitalistas – quando não havia a distinção público/privada (antiguidade oriental, Grécia Clássica, Roma), só que hoje ela advém e parte da classe dominante detentora dos meios de produção. Assim, o jogo por detrás das visões generalizadoras passa por manter a lógica do senso comum, a fim de que a dominação e a opressão de uma classe sobre a outra se perpetue indefinidamente no avançar dos tempos. O conteúdo de classe e ideológico tem sido imposto de fora, como teremos oportunidade de constatar mais abaixo. Outrossim, significa desvincular a corrupção de uma apropriação privada dos recursos públicos em direção a um punhado de ricaços como um sistema funcional e não uma qualidade natural da alma humana.