os últimos dias temos presenciado a intensificação dos
ataques ao regime sírio por intermédio não só de bombas, mas também pelas
linhas tortas da “mídia mainstream”1, acusando-o a seu modo como
sendo responsável pelos constantes massacres da população e a dizimação bélica das
caravanas de ajuda humanitária em Aleppo. Porém, como veremos, trata-se de uma
pugna ideológica – claro, compreendida como expressão de uma guerra sangrenta
de extermínio – e de propaganda das grandes potências ocidentais para
desestabilizar e desmoralizar o regime político laico e republicano de Assad2.
Seu método são as sabotagens e mentiras tomadas como fatos indeléveis. Para
comprovar semelhante descalabro basta analisarmos rapidamente o que “jornalões”
publicam e divulgam através de suas pautas arquitetadas desde os bastidores do
Pentágono e sordidamente pensadas a partir da CIA. Soma-se que os EUA não
participam como meros expectadores, mas com mão ativa ao insuflar grupos
jihadistas reacionários contra os sírios, o que fica bem exposto após a
entrevista que um dirigente do grupo al Nusra, o comandante Abu al-Ezz,
concedeu ao jornal alemão Kölner Stadt
Anzeiger (26/9/2016). A frente Al-Nusra a que pertence Abu é uma
dissidência da Al Qaeda, rebatizada sob a orientação dos EUA de Frente Fatah
al-Sham para dificultar o controle russo na região leste da Síria.
sábado, 1 de outubro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
20 DE SETEMBRO DE 1835, A “REVOLUÇÃO FARROUPILHA”: de “caudilhos” a “pacificadores”, dos mitos resta-nos a bosta sobre ruas e alamedas como verdade concreta
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omeçaram esta semana as comemorações da “Semana Farroupilha”
em todo o Rio Grande do Sul. Nas ruas, gaúchos pilchados, desfiles de
“tropeiros” em seus cavalos, CTGs e folcloristas românticos em polvorosa; enfim,
todos absortos em seu esfuziante e desgastado “civismo regional” que reverencia
heróis do passado glorioso e seus feitos totalizantes do povo gaúcho, emblemática
e ufanisticamente venerados no hino rio-grandense: “Sirvam nossas façanhas/De
modelo a toda Terra” (https://www.letras.mus.br/hinos-de-estados/126618/).
Tantas virtudes juntas correspondem à realidade? Para o marxismo não há
categorias abstratas derivativas de si mesmas, a ciência histórica trabalha
diretamente com o que a vida e as necessidades materiais lhe fornece, quer
relativo aos indivíduos quer no âmbito coletivo. Neste sentido, caracterizar a
insurgência dos farrapos como uma revolução é redundar num tremendo equívoco,
pois o móvel da época sempre fora a guerra como principal fator de acúmulo e
povoação do extremo sul brasileiro e, ao final das beligerâncias, poucas coisas
da estrutura social e política foram alteradas. A “estância” e o militarismo
bárbaro atuaram como mecanismo de posse do território gaúcho, alimentados ainda
mais pela crise acentuada do modelo econômico brasileiro, a mineração, a
monocultura de exportação do açúcar e, mais tarde, o café. Os revoltosos farroupilhas não poderiam estar à frente de seu tempo,
expressavam antes de tudo a mentalidade da época, consubstanciada nas guerras
de conquistas, na defesa incondicional do regime escravagista, a pilhagem, o
contrabando e o roubo como fatores de acumulação de capital e renda da terra.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
7 DE SETEMBRO DE 1822 - INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: compromisso estabelecido pela aristocracia rural para inserir “corpos imensos de cabeças pequenas” na divisão internacional do trabalho
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estroina D. Pedro e sua comitiva, setembro de 1822, deixam a
capital de São Paulo em direção a província de Santos, cidade na qual aconteciam
diversos distúrbios sociais em decorrência da politica inepta do governador e
suas desavenças com a aristocracia rural, mesmo sendo seu “sátrapa” nomeado por
“vossa majestade”. Ao chegar foi recebido com vaias e xingamentos. Para tentar
remediar a crise e cooptar a população, o “eminente” D. Pedro promoveu uma grande
festança que durou a noite inteira. Nem a farra e a bebedeira conseguiram
reverter o quadro, apenas promoveu uma briga generalizada de bêbados e nosso príncipe contraíra uma tremenda dor de barriga! Sem o fito de acalmar os
ânimos, volta correndo a São Paulo. Estafado pela longa viagem, resolve apear
de seu burro às “margens plácidas” do riacho Ipiranga acometido de severa
diarreia. Sujo, mal tendo tempo para colocar as calças, D. Pedro recebe um
estafeta com mensagem de que seu pai, D. João VI, ordenando-o voltar
imediatamente para Portugal a fim de se submeter ao Rei. Junto com esta ordem
recebe outras duas cartas: de José Bonifácio, que aconselhava o príncipe a
romper com o domínio português; e a outra, de sua mulher, D. Leopoldina
(partidária de José Bonifácio), na qual apoiava politicamente a proposta de
Bonifácio. Gritando de dor, em circunstâncias nada glamorosas, D. Pedro teria proferido
o brado da “independência ou morte”, haja vista que sua maior ambição era
estabelecer uma monarquia absolutista no Brasil dirigida por ele próprio. Uma
viagem do Brasil a Portugal demorava dois meses, tempo que os lusitanos levaram
para saber do ato do regente. Porém, para chegar a esse ponto, o custo social
foi muito elevado, uma vez que abarca um longo período, desde primórdios do
século XVIII e desenvolvido com a fuga da família real de Portugal para o
Brasil em 1808. A “corte” lusitana instalou-se no Rio de Janeiro confiscando (roubando)
casas e terras dos brasileiros. As razões da “independência” não foram um ato
isolado da vontade de um dirigente de Estado, mas estão nas novas necessidades
do capitalismo entendido na divisão internacional do trabalho.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
“POKÉMON GO” EM AÇÃO: brincadeira nada ingênua, ou quando o “caçador” torna-se presa!
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
DIREITA VOLVER: MARX E ENGELS RACISTAS? Boçalidade da classe média, Carlos Moore e o ódio nos tempos de fascistização
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ntem, 31 de
julho, adornado de adesivos que publicitavam o “Fora Temer, não ao golpe”, após
o ato contra o golpe, alguns coxinhas, “mauricebas e patricebas” desmiolados,
me abordaram na rua de forma bastante ofensiva e raivosa: “só pode ser um
petista comunista”, “vai pra Cuba”, “Marx era racista, protonazista” gritava
uma com ares de superioridade e mais um desfile de pérolas fundamentadas num
senso comum vil, típico de imbecis sem cérebro que jamais leram algo de Marx,
mas muita Veja. Eis então que um
desses elementos asqueroso estava distribuindo um “mosquito” que continha algumas
“citações” de Marx, o qual fiz questão de pegar, li apesar do asco: diz, “As
classes sociais e as raças fracas demais para conduzir as novas condições de
vida devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto (sic!) revolucionário”.
O outro trecho, nauseabundo, tomado aleatoriamente afirma “que a escravidão é
uma categoria econômica como qualquer outra... esclarecendo que se trata da
escravidão direta, a dos negros do Suriname, no Brasil, nas regiões meridionais
da América do Norte... Sendo que, comparado ao resto de nós um nigger (crioulo)
é o que há de mais perto do reino animal, ele é, sem dúvida nenhuma, o
representante mais adequado para este distrito”. Sem perder tempo e paciência
deter-me-ei a comentar essas duas passagens atribuídas a Marx. Fato emblemático
ilustra quão reacionária é a etapa por que passamos em termos de regime
político. Nesse sentido, cabe nos fortalecer com a discussão ideológica
bastante sólida.
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