sexta-feira, 3 de abril de 2020

FILME “O POÇO”: Imersão do indivíduo em seus processos (des)civilizatórios na sociedade de consumo ultraneoliberal e a intrépida jornada de Goreng


O
diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, autor de perturbantes obras cinematográficas do quilate de A boca do lobo (2004), O caixão de cristal (2016)1, criou uma instigante metáfora em tempo mais do que presente da realidade que nos emoldura presa ao insano social do consumo capitalista: O Poço, filme concluído em 2019. Uma narrativa sombria que reflete a condição humana sensitiva imposta pelo ultraneoliberalismo como um todo, e nos transparece como um fardo ao assisti-la. O autor faz com que submerjamos num mundo distópico dominado pelo instinto primário de sobrevivência, sobejamente metafísico-delirante, cruel, cujos personagens não têm rumo, nem esperanças, tampouco futuro, exceto um, o excelente Iván Massagué (o Goreng), protagonista da trama. Logo no início Urrutia deixa claro seu método e como deve ser compreendido o filme: “Existem três tipos de pessoas: as que estão em cima, as que estão embaixo e as que caem”. São paradoxais as inúmeras cenas ao longo do filme, as quais encerram profusão de cinismo, profunda arrogância acrescida de desprezo pelos de baixo expresso na atuação de Zorion Eguileor (o Trimagasi), individualismo e selvageria contumazes que, por fim, amalgamam-se em perigosas amizades (Emilio Buale, o Baharat), única e mais fiel a aliar-se com o nosso protagonista.

terça-feira, 24 de março de 2020

CORONACRISE: A “fagulha” do vírus acende a chama que começa a consumir o capitalismo pelo centro


D
esde os últimos dias de dezembro do ano passado, quando teve início a propagação do coronavírus na China e depois para o planeta, agora se faz necessária uma análise alicerçada na política a partir do vislumbre eminentemente técnico. Em pauta, como sustar a pandemia numa conjuntura na qual a maioria dos países afetados são proponentes encardidos do ultraneoliberalismo (ou neoliberalistas), muitos fascistizados, que medidas adotaram e como ficam os trabalhadores dentro de uma crise sistêmica sem precedentes do capitalismo? Qual o significado de “ficar em casa” como prevenção pandêmica? O papel da mídia ao espalhar a torto e direito um amplo processo de hiperinformação sobre a população, isto é positivo? O Brasil bolsonarizado vai ter capacidade técnica ou vontade que seja para superar a crise? Numa etapa em que os Estados Unidos deflagram a chamada “guerra híbrida” como não ser seduzido por “teorias da conspiração” e fakenews? São perguntas cruciais que surgem diante de tamanho desafio e podem indicar a resolução dos problemas levantados. Qual o alcance da crise atual e o que despertou a queda brusca de mercados bursáteis, tem a ver com o coronavírus?

sábado, 29 de fevereiro de 2020

CORONAVÍRUS E GEOPOLÍTICA: colocar a China nas cordas através da guerra híbrida como suposta medida de força dos EUA


U
m fato muito relevante vem balançando o mundo: a atual crise global do capitalismo agravada por causa do “surto” do coronavírus. No entanto, esta verdadeira histeria deve ser compreendida dentro do contexto da geopolítica e das políticas estratégicas, principalmente por parte dos Estados Unidos trumperizado e substancialmente fascistizado pelos neocons. Neste aspecto sobremaneira salientado, não podemos descartar a possibilidade de ser a expressão moderna do século XXI de uma guerra híbrida: os ataques e cercos militares convencionais por terra, água e ar, a lawfare ( justiça como intervenção - Lava Jato no Brasil), guerra comercial que vão ao encontro da alta tecnologia da guerra biológica. Hipótese (veja bem, hipótese dentro de um enredo muito conhecido em relação às agências de inteligência como a CIA) vai muito além de reles e nada científica teorias da conspiração, a qual pode ser adotada inclusive pela extrema direita mundial. Deve-se levar em conta o grau de atrito hoje existente entre potências capitalistas, principalmente expresso pelo binômio EUA X China, muito mais grave do que aquela do século XIX no pré-guerra mundial. Para superar o rival, ou inimigo, a resposta do império da águia se dá através da barbárie militar, para a qual não há qualquer escrúpulo ou limite ético em suas ações terroristas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

PESSOAL DO CEARÁ: Vida, amor e liberdade acima do Sul, onde nasce Terral, o “luxo da aldeia”!!!


‎By Reggis de Oliveira‎
          & André Fava

F
oi um movimento cultural brasileiro surgido em meados da década de 1960, sendo um dos mais importantes movimentos da música contemporânea cearense. O movimento começou após surgir no Ceará um grupo de artistas e intelectuais que pensavam, criavam, recriavam todas as questões que inquietavam o país na época. Entre seus integrantes existiam filósofos, físicos, químicos, arquitetos, músicos, poetas, cantores e atores. Eis seus nomes: Ednardo, Manassés, Petrúcio Maia, Ricardo Bezerra, Cirino, Manassés; letristas Fausto Nilo, Augusto Pontes e Brandão; as cantoras Téti e Amelinha e na poesia Patativa do Assaré. O artigo aqui pretende apenas dar uma visão geral deste movimento bastante profícuo que influenciou geração de músicos e guardou em nossas memórias afetivas canções inesquecíveis. Para uma pesquisa mais aprofundada, elenco nas referências uma bibliografia e videografias básicas para consultas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A ERA DO PÓS-VERDADE: O pântano do misticismo subverte a razão – Trump/Bolsonaro e a 'ciência' do não-saber



M
uitas perguntas têm instigado cientistas sociais e filósofos a se questionarem ao longo dos tempos acerca de qual a nossa relação com a realidade que nos permeia. O que, concretamente, ela é? Existe o fato objetivo? É possível determinar como realidade concreta o intricado mundo das relações sociais em cada fato posto? Na atualidade, qual o papel da informação, nesse sentido, como ela nos coloca dentro, perante (ou fora) dos acontecimentos e como descrevê-los da forma mais correta possível para que se atinja ou se encontre a Verdade lógica numa conjuntura politica e social através da qual o sujeito dotado de irracionalidade está cada vez mais individualizado, quase que submerso em sua solidão social, cuja consequência hoje presenciamos em fenômenos de ascensão da extrema-direita em todo o mundo (trumpismo e bolsonarismo, por exemplo). Para chegar a um denominador comum, trabalharei com duas hipóteses, uma nietzschiana e outra marxista, aparentemente opostas, mas que têm princípios cognitivo-epistemológicos bastante interessantes. O primeiro expõe; o segundo explica!