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crise sistêmica pela qual o planeta, em seu modo capitalista
de produção, está passando foi acionada pela disseminação do coronavírus, não é
um fenômeno recente. É preciso entende-la em sua historicidade e ideologia.
Trata-se do regime político-econômico surgido ao final dos anos 70 no Reino
Unido e nos Estados Unidos como contraponto às economias planejadas do bloco
soviético: o neoliberalismo. Despontou com o objetivo de minar o Estado
provedor de bem-estar-social erigido no pós-guerra para conter o avanço da URSS
(a responsável direta pela derrota nazista) na Europa e sua influência política
mundo afora. Nos anos 80 os países do “bloco comunista” sob a égide do
gorbachevismo começavam a agonizar, dado caráter parasitário de sua burocracia
dirigente, enquanto o bloco capitalista investia mais e mais em protecionismos
e no belicismo. O resultado não poderia ser outro senão o triunfo do grande
capital monopólico sobre as economias planificadas sem o padrão dólar. O final
da década de 80 prenunciava o fim da bipolarização do mundo (EUA versus URSS), com a reunificação
capitalista da Alemanha (derrubada do Muro de Berlim por yuppies), marca
indelével do processo contrarrevolucionário que dissolveu a URSS proclamado em
dezembro de 1991.




